Quinta, 12 Dezembro 2019 16:36

Estudo mostra equívocos em políticas públicas de financiamento do governo

Avalie este item
(8 votos)

article 48 cover pt BR

Certamente você já ouviu falar de empresários, políticos e personalidades que compraram aeronaves executivas, os populares jatinhos, com ajuda do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES. O caso mais famoso é o do apresentador de televisão Luciano Huck. De 2009 a 2014, uma das linhas de financiamento criadas pelo BNDES, o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) liberou 1 bilhão e 900 milhões de reais para a compra de 134 jatinhos. As aeronaves foram financiadas com taxas de juros entre 2,5% e 3,5% ao ano.

 

Nesse mesmo período, a taxa SELIC variou entre 7,25% e 10% e a inflação projetada era de 4,5%. As taxas de juros contratadas para a compra dos jatinhos representaram apenas 1/3 da taxa SELIC. É o que revela estudo com participação do professor Amaury Rezende, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP. De acordo com o estudo, os maiores bancos brasileiros, Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil, financiaram 70% das aeronaves e 72% dos valores.

 

O PSI beneficiou quem adquiriu os jatinhos com juros abaixo do mercado e os bancos que intermediaram os negócios porque receberam do governo a diferença dos valores entre as taxas de juros. O professor Rezende tem se dedicado nos últimos anos a estudar as políticas de benefícios fiscais adotadas pelos governos municipais, estaduais e federal. O professor comenta que o programa beneficia diversos segmentos da economia, e esse único segmento foi que gerou a curiosidade dos pesquisadores de realizarem o estudo porque tiveram os dados disponibilizados pelo BNDES.

 

Um dos objetivos do estudo é mostrar equívocos em políticas públicas de financiamento adotados pelo governo, principalmente numa sociedade desigual. Os dados foram obtidos nas informações disponíveis no site do BNDES. Também participaram do estudo Erivelto Rezende, da Fundace, fundação ligada à Faculdade de Economia e o professor José Marcos da Silva, da Universidade Federal de Uberlândia.

 

Ouça aqui a entrevista na íntegra.

 

O artigo completo está disponível aqui.

 

Leonardo Rezende, Assessoria de Comunicação da FEA-RP

Rosemeire S. Talamone e Ferraz Jr., Divisão de Comunicação da SCS - Polo Ribeirão Preto

Lido 339 vezes Última modificação em Quinta, 12 Dezembro 2019 16:55