Miércoles, 07 Noviembre 2012 00:00

Livro mostra relação entre ferrovias e mercado de trabalho no Brasil no século XIX

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As relações entre a construção das ferrovias, a expansão da agricultura de exportação e a transformação das relações de trabalho no Brasil na segunda metade do século XIX são temas do livro "Ferrovias e mercado de trabalho no Brasil no século XIX" (Edusp, 288 pág, R$ 40,00), escrito pela professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP, Maria Lúcia Lamounier.
Fruto da tese de livre-docência da pesquisadora, defendida em 2008 na FEA-RP, e baseado em diversas fontes documentais, o livro examina as condições de trabalho e os trabalhadores nas obras de construção de ferrovias no país na segunda metade do século XIX, diante do cenário de crescimento da agricultura de exportação e de escassez de mão de obra decorrente da extinção do tráfico internacional de escravos, em 1850.
Com as ferrovias, muitos fazendeiros viam a possibilidade de reduzir custos do transporte, trazer “progresso” e “trabalho livre”. Porém, se por um lado as ferrovias contribuíram para a liberação de centenas de trabalhadores engajados no sistema de tropas de mulas por outro lado as mesmas ferrovias contribuíram para intensificar o problema de mão de obra, ao ampliar a fronteira agrícola e expandir a área cultivada.
A construção de ferrovias, que demandava um grande número de engenheiros, técnicos, trabalhadores qualificados e semi-qualificados demandava ainda mais trabalhadores não qualificados. A construção e operação de ferrovias indicavam uma mudança profunda no mercado de trabalho até então condicionado em grande parte pelas necessidades da agricultura de exportação.
O livro mostra evidências do emprego de escravos, desafiando a legislação vigente na época, bem como do emprego de trabalhadores estrangeiros contratados sob condições e legislações repressivas. O livro também chama a atenção para o emprego de trabalhadores brasileiros, que eram, muitas vezes, tachados de “vadios” e “preguiçosos”. “Tanto nas fazendas de café quanto nas obras de construção de ferrovias, a natureza sazonal de curto prazo do emprego favorecia a mobilidade geográfica dos trabalhadores e os arranjos temporários”, explica a autora. . “A incapacidade da agricultura de gerar emprego durante todo o ano produzia um padrão de instabilidade e de irregularidade no emprego que muitos identificavam como ociosidade, justificando então o uso do trabalho escravo, do imigrante e de legislações repressivas”, completa Maria Lúcia Lamounier.
As pesquisas que resultaram na obra começaram a ser realizadas na London School of Economics and Political Science (LSE) onde a autora atuou como professora visitante entre julho de 1998 a março de 1999, e reuniu material documental em vários acervos ingleses.
Dividido em duas partes, o livro conta com quatro capítulos que abordam desde a implantação das malhas ferroviárias nas regiões açucareiras e cafeeiras até como as companhias conseguiram executar a construção das ferrovias diante da escassez da mão de obra. Com 288 páginas, a obra está disponível para venda no site da Livraria e Editora Arte Pau Brasil.

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