Os rumos da Contabilidade Ambiental e sua contribuição para mercados, organizações e governos.

 

 

 

Prof. Dra. Maísa Ribeiro

Profa. Titular da Faculdade de Economia, Administração

e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

 
  Em "Fronteiras da Contabilidade", Agosto de 2011.
 

Lucro já não basta! Reivindica-se, hoje, lucro sustentável, ou seja, ecológica e socialmente auferidos. A maioria dos que tem interesse na continuidade de uma empresa sabe que ela está sujeita a uma série de variáveis externas, razão pela qual cresce cada vez mais a demanda por transparência, abrangência, confiabilidade e prestação de contas. Todavia, ser sustentável sob o ponto de vista econômico, social e ambiental não depende de uma área específica, mas sim, de esforços conjuntos de diversos departamentos de uma companhia, orientadas por políticas claras. Neste cenário, a prestação de contas, o nível de transparência e abrangência dos atos e fatos ocorridos têm aumentado significativamente, assim como a adesão de empresários ao tema, e, assim podemos dizer que as empresas têm se tornado cada vez mais públicas no sentido de se sujeitarem a diversos tipos de interferências externas, principalmente.

As informações que subsidiam o processo de gerenciamento ambiental de forma integrada às operações rotineiras da companhia são produzidas pelo o que se convencionou chamar de "Contabilidade Ambiental". Como um segmento da contabilidade tradicional, ela procura identificar, mensurar, reconhecer e divulgar os efeitos econômicos, financeiros e físicos dos impactos causados pela operação da empresa, assim como das medidas de proteção e recuperação do meio ambiente. Destaca-se que a informação ambiental não se produz, apenas, a partir de dados existentes na área contábil, mas sim, de todas aquelas que compõem a companhia. Tal informação é de vital importância para o gerenciamento da aplicação dos recursos e, também, para avaliação de resultados corporativos.

Em muitas situações a interação da empresa com o meio ambiente não será da forma ecologicamente correta. Devido à condição econômica precária ou à ausência de soluções tecnológicas para reduzir ou tratar o impacto ambiental de certa atividade, as correções serão feitas de maneira gradativa e, em algumas situações serão tratadas/reduzidas apenas em tempo futuro. Contudo, supõe-se que isto não deveria impedir as empresas de reconhecerem seus passivos ambientais, pelo contrário, em nome da transparência e confiabilidade das informações deveriam tornar público a existência de obrigações deste tipo.

E como a contabilidade representa tais efeitos? Os efeitos econômicos podem ser divididos em passivos ambientais por representarem recursos a serem consumidos para a preservação e recuperação do meio ambiente e em ativos ambientais, que representam os investimentos realizados pelas empresas com a finalidade de geração de benefícios futuros - econômicos e socioambientais - livres de impactos ambientais. Um dos desafios da pesquisa em contabilidade ambiental é desenvolver métricas para valorar tais passivos e ativos.

Especificamente na linha de preservação do meio ambiente, os créditos de carbono, típicos mecanismos de compensação financeira, procuram estimular investimentos em tecnologias capazes de reduzir a produção de gases de efeito estufa (GEE). Além da geração de receitas e diminuição de gastos com a redução de perdas de matéria-prima, multas e indenização a terceiros por danos de natureza ambiental, também a expectativa de melhora de imagem da empresa, incentiva a adoção deste mecanismo. Novamente a contabilidade ambiental procura suportar sob um regime regulatório mais amplo, o valor associado a tais ações.

A preocupação compartilhada pela sociedade sobre o risco de inviabilidade de condições de vida das gerações futuras tem apoiado o crescimento da atenção às questões socioambientais. Em relação à atuação de empresas e mercados o gerenciamento destas questões envolve geração de informações econômicas confiáveis para suportar o processo decisório, ao mesmo tempo que permite aos agentes externos punir ou premiar determinada companhia por sua atuação no ambiente. Além disto, tais informações permitem ao governo observar os setores com maior potencial de impacto e benefícios ambientais, desenvolvendo políticas públicas associadas.
 
Enfim, a valoração de eventos ambientais (impactos e ações de recuperação e de preservação), assim como a forma de registro e divulgação, constituem grandes desafios na pesquisa em contabilidade. Soma-se a isto a necessidade de explicar a adoção, ou não, de tais práticas, ou o uso, ou não uso, desta informação pelos agentes externos. A interdisciplinaridade e a integração são aspectos relevantes a ser investigados, pois, a sustentabilidade não se fará, apenas, pelo esforço de uma ciência, ou de uma área de trabalho dentro de uma organização. Questões ainda em aberto na agenda de pesquisa mundial no tema.

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Profa Maísa Ribeiro é pesquisadora Produtividade CNPQ e organizadora da II Conferência CSEAR South America 2011.

 

 
 
 

da série "Fronteiras da Contabilidade"

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Uma iniciativa do Programa de Mestrado em Controladoria e Contabilidade
Departamento de Contabilidade
Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
Universidade de São Paulo

 

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    Área:    Controladoria e Contabilidade

    Curso: Mestrado
    Data:    14/02/2020, às 17h00 - horário de Brasília
    Local: 
    Sala 43, Bloco B2 da FEA-RP
    Título: Incerteza sobre a política econômica e estrutura de capital: evidências no Brasil
    Autor: Lucas Allan Diniz Schwarz

     

    Banca: Prof(a). Dr(a). Flávia Zóboli Dalmácio (Presidente)

    Prof(a). Dr(a). José Elias Feres de Almeida (Universidade Federal do Espírito Santo - UFES) - MCONF RNP

    Prof(a). Dr(a). Fernando Dal-Ri Murcia (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade - FEA) - MCONF RNP

    Prof(a). Dr(a). Marcelo Augusto Ambrozini (FEA-RP)

     

    Resumo: 

    Este estudo procurou investigar como a incerteza sobre a política econômica afeta as decisões de alavancagem das empresas brasileiras listadas em bolsas de valores. Primeiras evidências sugerem que firmas não-financeiras listadas empregam menos dívidas em suas estruturas de capital em momentos de maior incerteza sobre a política econômica (Lv & Bai, 2019; Zhang, Han, Pan, & Huang, 2015). A partir de dados trimestrais de 163 firmas não-financeiras brasileiras listadas na B3 entre março de 2010 e março de 2019, foi verificado que as firmas não-financeiras da amostra responderam a níveis elevados de incerteza sobre a política econômica com maiores níveis de alavancagem, mesmo quando controla-se as condições macroeconômicas, contrariando a perspectiva clássica apresentada pela Teoria do Trade-off para a relação entre incerteza e alavancagem. Os achados deste estudo são,ao menos preliminarmente,consistentes comaTeoriadoMarketTiming. Os resultados persistem em especificações que procuraram minimizar possíveis problemas de endogeneidade.

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