Ralph Melles Sticca pesquisa a relevância da contabilidade nas relações com o Fisco e busca propor maior clareza nas normas tributárias no que tange ao hedge accounting, com o intuito de reduzir o risco de autuações fiscais decorrentes da identificação das operações financeiras de hedge nas companhias brasileiras. Administrador e contador formado pela FEA-RP/USP, atua como advogado tributarista em Ribeirão Preto e São Paulo. É professor dos cursos de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Tributários (INPET).
 
 
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Perguntamos ao Ralph sobre sua decisão de fazer mestrado e como vê a condução do programa. 

Quando me formei em Administração em 2003 sabia que minha relação com a FEA-RP não acabaria ali. Voltei para cursar Ciências Contábeis em 2007 e ao formar-me, em 2009, tinha certeza de que o próximo passo seria o mestrado - era um período de intensas mudanças na legislação societária, enquanto as normas contábeis brasileiras convergiam para os padrões internacionais.
Em minha atuação profissional, conhecer profundamente a contabilidade é pré-requisito, pois toda a legislação tributária se apóia em conceitos extraídos da contabilidade, tanto societária como gerencial, bem como a parte mais relevante da atual Lei das S.A. (Lei nº. 6.404/76) diz respeito aos critérios de reconhecimento, mensuração, evidenciação e elaboração de demonstrações financeiras - para as interpretar e aplicar é preciso mais que conhecimentos jurídicos.

 

 

A necessidade de aprofundamento, bem como o interesse pela docência – ministro aulas em MBA desde 2008 – levaram-me a buscar o mestrado em Controladoria e Contabilidade, que também impacta positivamente a atividade profissional, principalmente quando se trata de prestação de serviços baseada na produção de conhecimento, como é o caso da advocacia empresarial.

 

Porque Contabilidade em Ribeirão Preto?
Durante os 5 anos em que cursei Administração na FEA-RP o curso fora reconhecido como o melhor do país, ainda que em instituição localizada fora do eixo Rio-São Paulo. O mesmo ocorreu com o curso de Ciências Contábeis. Creio que a qualidade de ensino da FEA-RP deve-se a sua derivação histórica da FEA-SP, mas principalmente ao pioneirismo dos professores que se arriscaram a sair da "metrópole" para promover o ensino de excelência no interior de São Paulo.
Hoje, o número reduzido de turmas, o nível de titulação e de publicação dos professores e o ambiente profícuo de negócios na região fazem da FEA-RP um benchmark, e não uma escolha conveniente. O mesmo se aplica a Ribeirão Preto, região com grande concentração de instituições de ensino e a terceira maior em potencial de consumo no país – e as companhias já perceberam este movimento, trazendo para cá seus escritórios, sucursais e centros de serviços compartilhados.

 

Como mestrado lhe ajudou?
Ter cursado mestrado na USP – e, sobretudo na FEA – trouxe-me inúmeros benefícios: a qualidade técnica dos artigos dados como leitura obrigatória, a profundidade das discussões em sala de aula e o estudo intensivo de metodologia da pesquisa científica foram diretamente incorporados a minha atividade profissional; já o contato com professores e alunos, assim como a própria titulação proporcionaram maior e melhor rede de contatos profissionais e convites para ministrar aulas, inicialmente em MBAs.

 

O que diria a quem esta pensando na carreira acadêmica?
A carreira acadêmica na área de negócios pode sim ser coordenada com a experiência profissional – conhecer a fundo o objeto de estudo é relevante para o desenvolvimento da pesquisa científica. Por isso, recomendo que o mestrado seja também parte de um plano de amadurecimento profissional, e não somente uma escolha definitiva pela carreira acadêmica. Ter vencido desafios profissionais após a graduação e antes do mestrado foram determinantes para o meu melhor aproveitamento no programa.
Mesmo durante o curso pude perceber avanços consideráveis no programa, que se adaptou bem às realidades atuais do mercado, sem qualquer prejuízo à qualidade de ensino e pesquisa e ao nível de cobrança dos alunos – de fato, este é o grande desafio da academia: estudar com embasamento científico e metodológico temas de relevância para a sociedade. E é por isso que recomendo o mestrado também aos empreendedores, executivos e profissionais liberais, que poderão aplicar o conhecimento adquirido no curso em situações práticas de sua profissão

 


Agenda Qualificações

Agenda Defesas

  • João Paulo Augusto Eça Open or Close

    Área:    Controladoria e Contabilidade

    Curso: Mestrado
    Data:    10/01/2020, às 15h00 - horário de Brasília
    Local: 
    Sala 43, bloco B2 da FEA-RP
    Título: Efeito das fontes de financiamento sobre a sensibilidade do investimento ao fluxo de caixa: evidências para o Brasil
    Autor: João Paulo Augusto Eça

     

    Banca: Prof(a). Dr(a). Maurício Ribeiro do Valle (Presidente)

    Prof(a). Dr(a). Tatiana Albanez (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade - FEA) - MCONF RNP

    Prof(a). Dr(a). Andrei Aparecido de Albuquerque (Universidade Federal de São Carlos - UFSCar)

    Prof(a). Dr(a). Marcelo Botelho da Costa Moraes (FEA-RP)

     

    Resumo: 

    Em mercados imperfeitos, caracterizados por forte presença de custos de falência, de custos de agência e de assimetria de informação entre os agentes, há imposição de restrição por parte dos credores à capacidade de financiamento externo das firmas. Com isso, considera-se que o investimento de empresas que sofrem restrição ao financiamento externo é dependente da geração de recursos internos (investimentos mais sensíveis ao fluxo de caixa). Entretanto, ao reconhecer a existência de características distintas entre as fontes de financiamento disponíveis, é possível que a restrição financeira sofrida pelas empresas possa ser diferente conforme a fonte de crédito utilizada pela empresa O que se questiona neste estudo é se as principais fontes de financiamento utilizadas pelas empresas são capazes de reduzir a sensibilidade do investimento ao fluxo de caixa e, consequentemente, a restrição financeira das firmas. Para responder a esta pergunta, o estudo contou com uma amostra de 153 companhias do setor industrial, tanto de capital aberto quanto de capital fechado, que foi subdividida entre firmas restritas financeiramente e não restritas (pelos critérios tamanho e rating). O modelo escolhido como base para as análises foi o de sensibilidade do investimento ao fluxo de caixa, comumente utilizado em pesquisas que tratam de restrição financeira. Após as estimações, alguns resultados persistiram, a saber: i) a sensibilidade do investimento ao fluxo de caixa verificada para as empresas consideradas financeiramente restritas; ii) a relação não significativa entre as variáveis representativas do crédito bancário e subsidiado sobre a restrição financeira das empresas restritas (sensibilidade do investimento ao fluxo de caixa) e iii) a relação negativa e significante entre a participação moderada da dívida de mercado de capitais e a restrição financeira das empresas restritas (sensibilidade negativa do investimento ao fluxo de caixa). Análises adicionais mostraram que as empresas que possuem participação moderada da dívida de mercado de capitais, em geral, têm maior heterogeneidade em sua estrutura de dívida, ou seja, acessam diferentes fontes de financiamento. Além disso, o estudo mostrou que as empresas que possuem acesso às diferentes fontes de financiamento aumentam seus investimentos nos períodos em que apresentam resultados adversos (queda do lucro ou, até mesmo, prejuízo contábil). Ao atingir resultados superiores nos exercícios subsequentes, essas empresas, em média, reduzem o volume de investimento. Tal comportamento explica, portanto, a sensibilidade negativa do investimento ao fluxo de caixa.

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  • Atualizado em: 13 Dezembro 2019, 18:58:35.