Preço Internacional do Petroleo
O presente boletim analisa as variações de preço em cinco combustíveis: etanol; gasolina; gasolina aditivada; diesel; e diesel S10. Foi considerado o período compreendido entre os meses de janeiro a junho de 2025, sendo que os dados foram retirados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (2025).
No Brasil, os preços dos combustíveis são determinados por uma combinação de fatores conjunturais e estruturais. Os fatores conjunturais dizem respeito às condições econômicas de curto prazo, como as oscilações no preço internacional do barril de petróleo e a variação cambial, em especial a valorização do dólar frente ao real, que encarece os custos de importação. Já os fatores estruturais estão relacionados à dinâmica interna do setor energético, incluindo características da cadeia de produção e distribuição, além da política de preços praticada pela Petrobras (DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, 2018)
A Figura 1 mostra a evolução mensal do preço do barril de petróleo bruto do tipo Brent ao longo de 2024, expresso em dólares (US$) e calculado no formato FOB (free on board), que desconsidera os custos de frete e seguro. Produzido no Mar do Norte (Europa), o Brent é uma referência internacional amplamente utilizada na formação de preços de diferentes tipos de petróleo.
Segundo dados do Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás (2025), o comportamento da curva do preço do petróleo no médio prazo é influenciado por fatores como a oferta da OPEP+ e dos Estados Unidos, o ritmo de recuperação da economia global e a resposta mundial às demandas por fontes de energia com menores emissões. Em 2025, os preços do petróleo Brent têm se mantido em níveis baixos, resultado de uma oferta elevada e demanda ainda contida. A desaceleração da economia global -- com destaque para os países da OCDE e a China --, aliada à expansão da produção fora da OPEP, especialmente nos Estados Unidos, tem exercido pressão sobre os preços ao longo do primeiro semestre. Em resposta, a OPEP+, sob a liderança da Arábia Saudita, manteve cortes voluntários na produção, com o objetivo de sustentar as cotações do barril (HARTT, 2025).
A oscilação dos valores do Brent ao longo do período é relevante para o acompanhamento do setor energético e seus impactos sobre os preços domésticos dos combustíveis.
Entre janeiro e maio de 2024, os preços do barril de petróleo Brent apresentaram uma trajetória de queda, após um aumento pontual no início do ano. Em janeiro, o valor médio era de US$ 68,03, atingindo o pico de US$ 71,53 em fevereiro. A partir de março, observou-se uma tendência de retração nos preços, que recuaram para US$ 62,17 em maio. Em junho de 2025, o preço internacional do barril de petróleo tipo Brent voltou a subir, alcançando US$ 68,17.
Setor Sucroalcooleiro
Pela análise da Tabela 1, entre janeiro e junho de 2025, o preço médio do etanol no estado de São Paulo apresentou variações significativas. O valor passou de R$/L 4,04 no início do ano para R$/L 4,48 em maio, o que representa elevação de cerca de 10,9%. Em junho, o preço voltou a se estabilizar e é possível notar queda no desvio padrão, o que indica menor heterogeneidade no final do semestre.
Por outro lado, os preços das gasolinas comum e aditivada apresentaram relativa estabilidade. A gasolina comum iniciou o ano com valor médio de R$/L 6,02 e encerrou junho em R\$/L 6,08. A aditivada seguiu comportamento semelhante, variando de R\$/L 6,31, em janeiro, para R$/L 6,38, em junho. Os desvios padrão permaneceram praticamente constantes.
A comparação entre os combustíveis evidencia a maior volatilidade do mercado de etanol, cujo preço é sensível a fatores internos, como a safra da cana, decisões das usinas e competitividade frente à gasolina. Já a gasolina, mais influenciada pelo mercado internacional e pelas políticas da Petrobras, respondeu de forma mais contida às variações do petróleo Brent.
A Figura 2 apresenta a evolução dos preços médios mensais do etanol, gasolina comum e gasolina aditivada no estado de São Paulo, entre janeiro e maio de 2025. A análise visual confirma o padrão já identificado na tabela: enquanto os preços da gasolina (comum e aditivada) mantiveram-se relativamente estáveis, o etanol apresentou maior volatilidade.
A Figura 3 mostra um crescimento considerável no preço do diesel de janeiro para fevereiro de 2025, sendo reflexo do aumento do preço do petróleo, como visto anteriormente, além da considerável depreciação do real frente ao dólar. Os preços do diesel aos distribuidores não eram reajustados desde outubro de 2023, mas a conjuntura econômica levou a Petrobras a fazer ajustes, sendo sentido de forma quase imediata pelos consumidores. Com a reversão do preço do petróleo e do câmbio, a partir de abril, o preço do diesel começou a se reduzir, sendo que essa trajetória se manteve até junho de 2025.
Na Tabela 2, notamos que, no primeiro semestre de 2025, o preço médio do etanol nos principais municípios do estado de São Paulo apresentou trajetória relativamente estável. Em janeiro, os preços variaram entre R$/L 3,68 (São José do Rio Preto) e R$/L 4,26 (Ribeirão Preto). Em junho, os preços ficaram entre R$/L 3,55 (São José do Rio Preto) e R$/L 4,27 (Santos).
Destaca-se que, apesar da leve alta registrada em fevereiro e março, quando os preços atingiram seus maiores valores no semestre, o mercado rapidamente retomou a trajetória de queda. Esse movimento pode estar relacionado a fatores sazonais ligados à oferta da cana-de-açúcar no início da safra 2025/2026.
Na Tabela 2, também notamos que os preços médios da gasolina e da gasolina aditivada nos principais municípios paulistas apresentaram um comportamento semelhante: alta expressiva em fevereiro e março, seguida por queda gradual até junho. Em janeiro, a gasolina comum era vendida, em média, entre R$/L 5,81 (Bauru) e R$/L 6,20 (Ribeirão Preto), enquanto a aditivada variou de R$/L 5,96 (São José dos Campos) a R$/L 6,59 (São Paulo). Já em junho, ambos os tipos convergiram para valores mais baixos, indicando relativa estabilidade e homogeneidade regional nos preços.
Finalmente, com a análise voltada para os preços do diesel e diesel S10, com os resultados apresentados na Tabela 3, notamos que ao longo do primeiro semestre de 2025, os preços médios do diesel e do diesel S10 nos principais municípios paulistas apresentaram trajetória semelhante, ou seja, alta nos dois primeiros meses, certa estabilidade em março, com posterior queda até junho.
Por: Luciano Nakabashi, Rudinei Toneto Junior e Ruan Cursino Thomé