Wednesday, 23 July 2025 09:14

Pesquisa da FEARP publicada pelo Ipea investiga impacto das normas sociais na participação feminina no mercado de trabalho

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Foi recentemente publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, nota técnica que reúne os resultados preliminares da dissertação de mestrado da aluna do Programa de Economia da Faculdade De Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP), Sara Costa Pedreira, sob orientação da Profª. Dra. Elaine Pazello, e com o apoio da Técnica de Planejamento e Pesquisa do Disoc/IPEA, Ana Luiza de Holanda Barbosa.

O estudo analisa como as normas sociais afetam a oferta de trabalho das mulheres, partindo da dinâmica de decisão dentro das famílias sobre como alocar o tempo entre trabalho remunerado e afazeres domésticos. No chamado processo de barganha intradomiciliar, as mulheres costumam estar mais sobrecarregadas com tarefas domésticas, enquanto os homens dedicam mais tempo ao trabalho remunerado e ao lazer. A pesquisa busca justamente evidenciar como as normas de gênero — ou seja, as regras implícitas e explícitas que moldam o que é considerado socialmente aceitável para cada gênero — influenciam essas decisões.

A pesquisa traz duas contribuições principais. A primeira é mostrar como a participação em sindicatos e em espaços coletivos de representação pode estar relacionada às normas sociais de cada família. Argumenta-se que a filiação e participação ativa em organismos sindicais podem promover laços de solidariedade e comunidade capazes de alterar a autopercepção subjetiva dos indivíduos e, dessa forma, engendrar em uma maior participação dos homens nos afazeres domésticos e trabalhos de reprodução social. A segunda é a quantificação do impacto direto das normas de gênero sobre a participação das mulheres no mercado de trabalho. Ao medir esse efeito, o estudo oferece subsídios importantes para políticas públicas voltadas à redistribuição das responsabilidades domésticas e de cuidado, fundamentais para promover maior equidade de gênero. Além disso, os resultados evidenciam diferentes realidades regionais no Brasil, relacionadas à estrutura do mercado de trabalho, ao acesso a direitos e à forma como as expectativas de gênero se manifestam. De forma geral, as normas de gênero influenciam negativamente a oferta de trabalho – efeito mais pronunciado para mulheres.

Como próximos passos, as pesquisadoras devem avançar no refinamento metodológico para explorar as heterogeneidades entre diferentes arranjos familiares no Brasil. “Queremos entender, por exemplo, como domicílios multigeracionais — que contam com avós ou sogras — influenciam o processo de barganha e a decisão das mulheres sobre trabalhar fora de casa. A presença de outros parentes pode tornar essas decisões mais complexas, afetando inclusive a percepção do que é esperado socialmente das mulheres”, diz Sara Costa.

A pesquisa também poderá ser expandida para diferentes anos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), permitindo investigar as mudanças e tendências ao longo do tempo.

Por: Lincoln Leandro Fonseca, Assessoria de Comunicação da FEA-RP

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