Newsletter dia 18/07/2012*

"Economia e Gestão de Artes e Cultura", fruto da parceria USP e EUR (Holanda)

Entre os dias 14 e 22 de agosto, será oferecida na FEA-RP a disciplina de pós-graduação “Economia e Gestão de Artes e Cultura”, fruto da parceria entre a Unidade e a EUR – Erasmus University Rotterdam (da Holanda) - e da visita do diretor da FEARP, professor Sigismundo Bialoskorski Neto, àquela universidade.

A parceria entre a Erasmus University Rotterdam (EUR) e a USP visa aproximar as duas universidades através do intercâmbio de membros de seus corpos discente (graduandos e pós-graduandos) e docente (professores e pesquisadores). A visão de longo prazo almeja a troca de conhecimento pelo desenvolvimento de estudos em conjunto. A curto prazo, professores de uma universidade irão à outra para cursos e palestras - "Economia e Gestão de Artes e Cultura" é a disciplina que marca o início desta parceria.

A disciplina será ministrada pelo professor Arjo Klamer, titular da cadeira de Economia da Cultura na Erasmus e colaborador na Faculdade, pelo professor João Luiz Passador, do Departamento de Administração e também contará com a participação do professor Aldo Do Carmo Jr, assistente de Klamer.

Será uma disciplina parcialmente em inglês (cinco dos nove encontros), que abordará como se pode entender e administrar artes e cultura. A primeira cadeira de economia das artes e da cultura no mundo foi inaugurada em 1994 - seu primeiro ocupante é o professor Klamer. Ele afirma que o desafio de um economista da cultura é conectar o mundo das artes com a economia, respeitando e entendendo a essencial tensão entre as duas: “Para isso, encontro-me introduzindo ‘cultura’ em seu sentido antropológico geral, e recuperando a noção básica de ‘valor’ no discurso econômico”.

Para esse fim, Klamer foca sua atenção no empreendedorismo cultural, no financiamento às artes e cultura, na economia criativa, nos valores da cultura e em estudos do patrimônio cultural. Economia da cultura está paulatinamente se tornando uma disciplina de grande relevância, pois trata de temas importantes para as sociedades modernas: economia criativa, empreendedorismo cultural, indústrias criativas, mercados de arte e organizações culturais. A perspectiva da economia da cultura que estudamos e ensinamos (e será tema do primeiro encontro) parte da perspectiva econômica, adicionando elementos novos, como valores além do monetário. Discutimos o papel das economias criativas, a importância da criatividade e os valores que guiam as organizações culturais. Ensinamos aos nossos alunos que enxerguem além do mundo das transações comerciais, entidades monetárias, e passem a considerar a importância dos valores culturais que as organizações geram.

Mais detalhadamente

Alguns economistas da cultura concentram suas pesquisas no estudo das artes visuais e patrimônio cultural (entre elas, arquitetura, cerâmica, desenho, pintura, escultura, artesanato, fotografia e vídeo-arte) e espetáculos (como música, teatro, dança, ópera e circo). Eles analisam características dos artistas e das instituições que produzem, exibem e apóiam essas manifestações, como museus, teatros e galerias de arte. Algumas das questões que intrigam esses acadêmicos são: Como a entrada gratuita em museus impacta o número de seus visitantes? Como avaliar uma manifestação cultural? Como a tecnologia afeta a produtividade? E como ela afeta os salários?Como instituições culturais se organizam? Como alas são diferentes de organizações não-culturais?

Alguns acadêmicos pesquisam e ensinam nos vários aspectos dos mercados de arte. Há um amplo interesse em entender como os altos preços alcançados no mercado, a globalização e a digitalização estão impactando a forma que as artes são valorizadas, tratadas e consumidas no contexto global e digital. Um grande número de tópicos é investigado por esses acadêmicos, desde o papel dos especialistas e a construção de seus conhecimentos, a história dos mercados de arte, os processos de avaliação e valorização da arte, como colecionadores e consumidores de arte são impactados por novas mídias e pelo mercado. Uma atenção especial é dedicada a mercados emergentes, como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Outros estudiosos se dedicam às Indústrias Culturais – a oferta de bens e serviços culturais e reprodutíveis. Seus produtos específicos incluem gravações musicais, filmes, textos literários e jogos de vídeo. Existem muitas tentativas de aproveitar essas indústrias como motores do crescimento econômico e as indústrias culturais estão mudando rapidamente com a difusão das tecnologias avançadas de informação digital e de comunicação. A mudança tecnológica na indústria cultural também tem se provado difícil de gerir e controlar. Acadêmicos realizam pesquisas sobre a organização industrial das indústrias culturais, com especial ênfase na inovação, criatividade e mudança tecnológica.

Nos últimos anos, a cópia não autorizada e do sistema de direitos autorais tem recebido atenção especial. Estudiosos estão interessados em entender: O que determina o preço de um concerto de música popular e de uma ópera; Porque existe um sistema de classificação de artistas; Porque muitos artistas são pobres; Porque Hollywood domina a indústria cinematográfica; Se é possível prever o sucesso de um filme ou de um álbum de música; Se baixar música ilegalmente gera danos à indústria fonográfica; Quais são as razões para existir um serviço público de radiodifusão ou televisão.

Políticas culturais, cidades criativas e desenvolvimento urbano são temas foco de outros economistas da cultura. Defendem que uma cultura de criatividade está embutida na forma como a cidade funciona – ao identificar, atrair, estimular e sustentar os indivíduos talentosos, é capaz de mobilizar ideias e organizações criativas, e também as não-criativas. Eles visam responder: Como clusters criativos são criados e desenvolvidos; O que é necessário para isso; Porque os governos apoiam as artes; Quais são suas políticas; O que são políticas eficazes; Quanto estamos dispostos a pagar para proteger nosso patrimônio cultural; Se a cultura afeta os resultados econômicos.

Disciplina

Durante a disciplina serão abordados esses tópicos e outros, com exemplos brasileiros e internacionais. O entendimento da língua inglesa é necessário. A presença do professor Aldo Do Carmo (brasileiro) é importante para dirimir qualquer problema de entendimento, tanto da língua quanto do conteúdo.

A disciplina é oferecida a alunos de pós-graduação da FEA-RP e também de todas as escolas e unidades da USP. Conhecimento básico de economia e administração será necessário, mas, caso algum aluno tenha dificuldade com algum conceito, os professores poderão esclarecer. A ementa da disciplina está disponível em: https://uspdigital.usp.br/janus/componente/disciplinasOferecidasInicial.jsf?action=3&sgldis=RAD5050.

Quem não for aluno de pós-graduação pode fazer a disciplina como aluno especial. Saiba mais pelo link http://www.fearp.usp.br/cpg/images/stories/ALUNOS_ESPECIAIS/editalalunosespeciais3trim2012_ppgao.pdf.

As aulas serão em regime intensivo, no período de 14 a 22 de agosto, conforme calendário específico disponível em: https://uspdigital.usp.br/janus/componente/disciplinasOferecidasInicial.jsf?action=4&sgldis=RAD5050&ofe=1.

Da matrícula

Os interessados poderão solicitar a matrícula mediante formulário específico entregue na Seção de Pós-Graduação à qual  estejam vinculados até 10 de agosto.

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